Os treinadores e a diretoria

O mundo ideal é manter o treinador, mas nem sempre é possível. O Daniel tem sido muito criticado pelas trocas, mas acho que as pessoas esquecem alguns pontos importantes e por isso escrevo esse texto. Vamos relembrar cada um.

Existem os torcedores que sentem a falta do Levir, existem os fãs do Aguirre, existem os que defendem o trabalho atual do Marcelo e existem os que pedem o Mano ou qualquer outro.

Vamos começar com o Levir, ele deu certo no Galo, foi campeão da Copa do Brasil em um ano e no ano seguinte foi vice-campeão brasileiro, só bobo não valoriza um vice-campeonato. Só que no ano passado, o Levir que conviveu com uma época de salários atrasados, começou a interferir na gestão da diretoria.  Qualquer reforço que a diretoria ensaiava buscar, havia resistência do treinador ao contrário do que a imprensa bradou na época, de que não havia dinheiro e o Levir estava era blindando o grupo, havia sim dinheiro. Douglas Santos e Pratto foram exemplos anteriores e que vieram sem o aval do treinador, o Alexandre Kalil tuitou sobre Pratto “Contratação exclusiva do presidente”.

Depois do Pratto, o Daniel tentou outros nomes, tentou Bernard, ficou apalavrado com o Nenê, mas o Levir conseguia vetar. Você pode estar pensando “Se os salários atrasaram, o Levir está certo. ” Mas o negócio é que os salários atrasaram por problemas da época de acordo com Profut e convivência com bloqueios, esses argumentos não convenceram o Levir, que continuou com má vontade com reforços. Levir queria contas em dia e grupo na mão, mesmo que mais modesto.

O Alexandre Kalil era um presidente ambicioso, o Daniel convivia com isso, quando assumiu se sentia na obrigação de ser ambicioso também. Montar time para ser campeão é matemática básica para arrecadar mais. O orçamento na época do Ziza era de 40 milhões, a dívida era 200 milhões. A dívida era cinco vezes maior que o orçamento anual, situação grave. Hoje o orçamento é 250 milhões, a dívida por volta de 500 milhões. A dívida hoje é duas vezes maior que o orçamento, ou seja, qualquer administrador “meia boca” sabe que a situação melhorou demais apesar do aumento da dívida. Sem passivo trabalhista, com todas certidões negativas de débito, o Galo respira tranquilamente. Mas o Levir, com o espirito tiozão japonês, não queria grandes reforços. O Daniel era um pássaro doido para voar e o Levir era a gaiola. Quem já teve oportunidade de conversar o mínimo com o Daniel, percebe que ele tem grandes ambições como presidente e essas ambições estavam amarradas com o comandante. Ele não poderia arriscar fazer um investimento alto em um jogador e o treinador ficasse com má vontade de usar. Douglas Santos só virou titular com muito custo e o Pratto acabou caindo nas graças do Levir, mas era perigoso arriscar. Temos vários exemplos de problemas do Levir com jogadores de destaque, esse ano mesmo ele acabou tirando o Fred do Fluminense. O Daniel quis voar e não renovou com o Levir. Como não compreender?

O argumento que não tinha dinheiro desapareceu com a saída do Levir. Veio vários reforços. Tentaram alguns técnicos, Muricy estava apalavrado e deu para trás, Bielsa não aceitou o convite, acabou sobrando o Aguirre. Quando você contrata a quarta ou quinta opção, você não está fazendo com tanta convicção. Você tinha conhecimento do rodizio, tinha conhecimento da quantidade de lesões no Inter, mas não via no mercado coisa melhor ou menos pior.  Tinha o Cuca, mas além de pedir muito, havia no elenco ainda alguma restrição quanto ao Marrocos. Enfim, contratou a quinta opção, com a imprensa local e nacional cantando aos quatro ventos que tínhamos o melhor elenco do Brasil. É pressão demais em cima do treinador, se era unanimidade que o elenco era espetacular, cabia ao técnico fazer jogar. Não fez jogar, time não rendeu, não convenceu. A Libertadores atual é a de menor nível técnico dos últimos anos, só o Atlético Nacional joga um futebol de qualidade. O Boca é o Boca, mas não é um grande time, o Del Valle é arrumadinho, mas nada espetacular. O Racing que eliminamos e achamos grande negócio o empate na Argentina, vinha sem ganhar em casa há 5 jogos. Romero e Lisandro Lopes vinham complicando a vida do GALO no Horto, o treinador do Racing sacou o Romero e ai sim o GALO conseguiu jogar melhor. Não convencia, não tinha conjunto e existia um problema crônico no lado direito. Todos os times exploravam aquele lado. Rocha começou a ser questionado, saia gol quase todos jogos com jogadas originadas por ali. O treinador chegou a escalar dois laterais direito para tentar solucionar e não conseguiu, perdeu um Campeonato Mineiro para o América com o lado sendo explorado pelo Bryan, repito, sendo EXPLORADO PELO BRYAN!!! Já surgia gente pedindo a cabeça do Rocha. Para piorar, o treinador tinha má vontade com o Cazares, que atrasou em alguns treinos e foi deixado de lado como punição. Colocou o Robinho de meia e não deu certo e depois começou a colocar o Patric que também não deu certo. Ficou completamente apaixonado pelo Patric. O time do Aguirre tinha três problemas gravíssimos:

01 – Avenida Marcos Rocha

02 – Amor pelo Patric

03 – Má vontade com o Cazares

Obviamente, esses problemas foram potencializados ao máximo com a convicção do “Melhor elenco do Brasil”

Se a diretoria desse um jeito de negociar o Patric resolveria parte dos problemas e daria para manter o trabalho? Talvez sim, mas lá no início eu falei da falta de convicção na quinta opção, a única saída mesmo foi a demissão. Mais uma vez, concordei com a diretoria.

Veio o Marcelo e com ele os 7 jogos sem vencer. Marcelo que é massacrado em São Paulo como o pior treinador do Mundo. Parte da imprensa mineira foi na mesma onda, principalmente a imprensa que era apaixonada com o Aguirre. Os desfalques da Copa América e por lesões contribuíram com a má fase. Depois diminuíram os desfalques vieram as quatro vitórias seguidas, Rocha e Donizete recuperando o futebol. O lado direito do Galo ninguém nem lembra mais que um dia foi avenida. Os últimos gols que tomamos não tem nada a ver com Rocha, aliás, o segundo do Flamengo sim, logo após o Rocha ter saído machucado, o gol saiu naquele lado. O Urso fazendo o que não era a dele, mas teve contribuição do Victor e do Erazo também.  Mas reitero, o problema crônico do lado direito que o AMÉRICA DEITOU. Romero e Lisandro estavam deitando e todos os outros que jogavam com o GALO deitavam, com o Marcelo morreu. Óbvio que a gente vê menos o Rocha no ataque, mas o camarada virou líder de desarmes no Brasileiro e fechou a avenida. PALMAS!!! Na imprensa você não vê ninguém falando, né? Na imprensa o Galo está no piloto automático e bagunçado.

Agora vem os problemas do Marcelo. Ele não tem volantes muito bons à disposição, Carioca e Urso, no quesito marcação são fracos. Carioca tem qualidade no passe curto, é o cara do primeiro passe, jogador de qualidade. Urso aprendeu na China a atacar, marcar eu não sei se ele sabia, por que eu não via ele no Coxa, mas de volante, ele não tem quase nada. O Galo teve consistência defensiva melhor com o Donizete, que infelizmente machucou. Eduardo e Lucas Cândido seguem a linha de Urso e Carioca, não são grandes marcadores. Mordedor só o general mesmo. Então nosso time é mais ofensivo pelas características dos caras e não só pelo técnico. Com esses volantes, a zaga fica mais exposta, ai a idade do Léo, que é excelente jogador, fica evidente quando ele vez ou outra se vê na situação de correr atrás do atacante. Não ganha na corrida de ninguém. Em um time retrancado e com bons volantes, talvez a idade do Léo não importasse tanto, mas com Carioca e Urso, a idade dele está evidenciada, pois sobra para ele. Sobra para o Erazo também que contra o Fla passou por situações semelhantes, sendo que o Erazo é novo.

O outro grande problema é o amor pelo Patric, já temos o terceiro técnico apaixonado. Jogadores, se vocês lerem isso, vocês são muito burros, basta correr que o treinador apaixona com vocês. Pode fazer a merda que for, correu, apaixonou. Fica a dica. Vejo o Patric muito como o novo Márcio Araújo, mas ressalto que o Márcio Araújo é muito melhor ou menos pior. Times com esses caras não vão ganhar nada, o Márcio Araújo até ganhou uma Copa do Brasil com o Felipão no Palmeiras, mas acho que foi um aborto. Palmeiras foi rebaixado aquele ano se não me engano. Esse tipo de jogador é paixão de técnico e afundador de time, se a diretoria não sumir com ele, nem perca tempo acreditando em algum título. Para piorar, parece que os dois têm pacto com o capeta, que todos jogadores concorrentes de posições que ele já jogou machucam e acaba que eles sempre são titulares. Se você é cético a essas coisas tem que concordar que é coincidência demais né? Eu daria um jeito de sumir com o Patric pra não correr o risco do 4º técnico ser apaixonado com ele também.

Confesso que fiquei com preguiça de terminar o texto, já que está quase do tamanho de um livro e escrever não é meu forte… Um dia eu continuo. Faltou falar agora que estamos perdidos sem o Cazares e da opção da retranca de Mano Menezes, Argel, etc.